Intervenção da Secretária de Estado dos Transportes no lançamento da Primeira Pedra do Edifício da Redonda, que vai albergar o Museu Nacional Ferroviário, no Entroncamento
(Só faz fé a versão efectivamente proferida)
Senhor Governador Civil de Santarém
Senhor Presidente da Câmara Municipal do Entroncamento
Senhor Presidente e Administradores da Fundação do Museu Nacional Ferroviário
Minhas Senhoras e Meus Senhores
A criação do Museu Nacional Ferroviário é um desejo já antigo da população do Entroncamento e de todos quantos valorizam o mundo ferroviário e o mundo ferroviário português em particular.
A cidade do Entroncamento nasceu e cresceu a partir da ferrovia sendo, por isso, um caso urbanístico particular. A cidade desenvolveu-se em redor do comboio e das linhas-férreas, de tal maneira que não é possível separar as suas histórias: Cidade e ferrovia cresceram de braço dado!
E é por essa razão que o Entroncamento é o local indicado para receber o Museu Nacional Ferroviário. Acima de tudo, merece-o!
Merece-o também pelas gentes do Entroncamento! É consensual a sensibilidade das gentes do Entroncamento que, ligados à ferrovia e à cidade, apostaram na preservação do património ferroviário, demonstrando uma enorme sensibilidade para as questões culturais e um enorme orgulho nas origens da sua terra.
Tudo isto está presente no empenho e no afecto com que os ferroviários cuidaram das construções históricas e do espaço em que hoje lançamos a primeira pedra daquilo que será o Museu Nacional Ferroviário.
De facto, o Museu Nacional Ferroviário nasce no espaço onde existia o edifício da Redonda, reerguendo-se este sinal distintivo da cidade e da ferrovia.
Ainda este ano estarão concluídas as obras de recuperação da Redonda, o que permitirá concluir a 1.ª fase do Museu, seguindo-se então uma intervenção na antiga oficina do vapor, a qual constitui a segunda fase do projecto.
Este espaço que hoje vemos, com sucessivas marcas da sua ocupação ferroviária, ainda com edifícios ligados à sua função original, é o espaço físico indicado para se construir o Museu, tornando-o numa memória viva do que foram os caminhos de ferro em Portugal e tornando-o uma referência incontornável da arqueologia industrial portuguesa.
Quero também deixar uma referência ao armazém dos víveres que, sendo uma peça de arquitectura representativa de um período histórico e de uma forma de organização da ferrovia, foi entregue pela Refer à Fundação do Museu Nacional Ferroviário para funcionar, a partir de agora, como espaço temporário de exposições e, desta forma, contribuindo para o projecto global da Fundação.
Minhas Senhoras e Meus Senhores,
A evolução do sector ferroviário, ao longo dos tempos, deixou-nos um legado significativo pelo país fora de grande valor patrimonial, representando uma época, um estilo e uma forma de trabalhar. Meios e modos de produção que constituem um marco na nossa história económica e social.
Por isso mesmo, o projecto da Fundação do Museu Nacional Ferroviário não se circunscreve ao Museu do Entroncamento. É um projecto que, como o Governo afirmou desde o início, não pode – nem deve – esquecer o enorme acervo de núcleos museológicos do sector ferroviário existente no País.
Ainda amanhã irei a Cabeceiras de Basto presidir à cerimónia de assinatura de um protocolo entre a Fundação do Museu Nacional Ferroviário e o Município para gestão partilhada do Núcleo Museológico Ferroviário de Arco de Baúlhe, o que constitui mais um passo na materialização da aposta do Governo no conjunto nacional do património ferroviário, no quadro da Fundação.
A Fundação do Museu Nacional Ferroviário é um projecto que abracei e apoiei, desde que assumi funções. E é um projecto que estou firmemente empenhada em concretizar.
Hoje é um dia muito importante para a Fundação, mas também para o Entroncamento, cuja autarquia gostaria de saudar pelo empenho e entusiasmo que tem emprestado à concretização do Museu Nacional Ferroviário.
Estou certa que o Museu será factor de progresso e desenvolvimento da cidade.
Os comboios e a linha férrea são portadores de um especial poder de atracção que arrasta numerosos entusiastas, coleccionadores e estudiosos desta temática, dos mais variados cantos do mundo, e o Entroncamento cá estará para os receber de braços abertos, tirando partido deste factor.
Por todos estes motivos hoje é um dia importante para todos.
Desejo, sinceramente, que esta primeira pedra hoje lançada se transforme, simbolicamente, na locomotiva que sustenta o projecto da Fundação do Museu Nacional Ferroviário, pleno de significado, estética, empenho e sabedoria.