Governo > Ministérios > Ministério das Obras Públicas, Transportes e Comunicações [MOPTC] > Comunicação > Intervenções

Transportes públicos do Porto com 52% de viaturas a gás natural


2007-03-28

Intervenção da Secretária de Estado dos Transportes na cerimónia que assinala o reforço da frota da STCP com 80 novas viaturas a gás natural, no Porto

(Só faz fé a versão efectivamente proferida)

Senhora Presidente da STCP,
Senhores Convidados,
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Nove meses após aqui ter estado para assistir à assinatura do contrato para o fornecimento de 80 veículos a Gás Natural para a STCP, é com particular satisfação que volto a aqui estar para assistir à sua concretização.

De facto, a ampliação da frota de veículos a Gás Natural na STCP e na Carris através da substituição de veículos com tracção diesel é um objectivo assumido pelo Governo no âmbito do Programa Nacional para as Alterações Climáticas.

Esta medida insere-se no conjunto de medidas que visam a redução das emissões de Gases com Efeito Estufa, com vista ao cumprimento das metas do Protocolo de Quioto.

É, por isso, com particular satisfação que presencio à cerimónia de entrega destes veículos. Este é mais um passo no caminho que estamos a fazer com vista ao cumprimento das medidas e das metas inscritas no PNAC.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Portugal está obrigado a honrar os seus compromissos internacionais, no âmbito do Protocolo de Quioto, assim como a adoptar as recomendações do Livro Branco da Política Europeia de Transportes.

Como é sabido, Portugal comprometeu-se a limitar o crescimento da emissão de Gases com Efeito Estufa a apenas 27%, entre 1990 e 2008-2012, o período de cumprimento do Protocolo.

Este é um objectivo muito ambicioso e vai exigir uma enorme determinação por parte do Governo e de todos os Portugueses!

A nossa responsabilidade enquanto agentes do sector é ainda maior pelo facto do sector dos transportes ser um dos que mais contribui para a emissão de Gases com Efeitos Estufa. Ao nível Europeu, os transportes contribuem com cerca de 21% de emissões de dióxido de carbono.

Em Portugal, este sector já representava, em 1990, 25% das emissões de Gases com Efeito Estufa.

Para estes indicadores contribuem, decisivamente, as deslocações efectuadas em modo rodoviário, prevendo-se que a sua contribuição relativa atinja cerca de 96% em 2010.

Estima-se, ainda, que a circulação em transporte individual seja responsável por mais de metade do consumo energético do sector dos transportes, com consequências extremamente negativas ao nível do ambiente urbano, da sinistralidade e da qualidade de vida das populações.

Desta forma, torna-se imperativo tomar medidas para inverter esta tendência, incentivando o aumento da quota de mercado do transporte público e melhorando a eficiência energética dos veículos, com recurso a novas soluções tecnológicas.

Neste contexto, considero que a entrada ao serviço destas 80 novas viaturas a Gás Natural é uma medida que responde positivamente a este desafio.

Com o fornecimento destes veículos, a STCP passa a contar agora com 255 veículos a Gás Natural, o que representa cerca de 52% do total da sua frota, fazendo da STCP a empresa transportadora rodoviária nacional de referência ao nível energético e ambiental.

Com menores emissões de gases e partículas poluentes, estas viaturas contribuem para atenuar os índices de poluição atmosférica presentes nas áreas urbanas, contribuindo assim para melhorar a qualidade de vida da população.

Este é, aliás, um tema central de um conjunto de políticas comunitárias, sendo focado na estratégia temática para o ambiente urbano e na estratégia temática para a poluição do ar, aprovadas recentemente pela Comissão Europeia.

Em ambas, é destacado o papel do sector dos transportes, enquanto principal fonte de poluição em meio urbano, sendo solicitadas acções para reduzir o seu impacte.

Ora, tendo a STCP feito um esforço assinalável de renovação da sua frota, com uma aposta forte nos veículos a Gás Natural, é importante que tenhamos a consciência do que isso representa em termos de benefícios ambientais:

  • Em 2005, a redução de emissões (kg/km) de CO2 atingiu 15% face a 1999, prevendo-se que venha a atingir 22,5% em 2007;
  • É expectável, em 2007, atingir níveis de monóxido de carbono inferiores a um terço dos registado em 1999 e níveis de óxido de azoto duas vezes e meia menores; e por fim
  • Prevê-se, em 2007, a redução para um terço das emissões de partículas.

Estamos, pois, em condições de afirmar que a STCP está no bom caminho do esforço que estamos a fazer de melhorar a eficiência ambiental dos transportes públicos em Portugal.

Permitam-me também que dê ênfase às vantagens que a utilização de veículos a Gás Natural têm ao nível de sustentabilidade financeira do sistema de transportes. Na verdade, custos relacionados com a operação de veículos a Gás Natural são menores.

Entre 1999 e 2005, o custo médio por quilómetro do diesel subiu 8 cêntimos, esperando-se uma variação de 12 cêntimos no período entre 2005 e 2007.

Ora, em autocarros movidos a Gás Natural este custo cresceu, em iguais períodos de referência, 2 e 7 cêntimos respectivamente. Ou seja, estamos a falar de reduções de custos de operação por quilómetro muito acentuadas.

E este é um aspecto particularmente importante na actividade de transporte público de passageiros, onde o combustível tem um enorme peso na estrutura de custos das empresas.

Mas, para além de ganhos ambientais e para a sustentabilidade financeira da empresa, há igualmente a destacar que a renovação da frota da STCP tem permitido, na óptica do cliente, importantes ganhos ao nível da acessibilidade e do conforto.

De facto, em 2007, a STCP atingirá, com a aquisição destas novas viaturas, níveis muito elevados nos parâmetros de acessibilidade e conforto:

  • 70% de autocarros com ar condicionado;
  • 88% de autocarros com piso rebaixado; e
  • 54% de autocarros com rampa de acesso.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Quero aproveitar esta ocasião para me referir à recente entrada em funcionamento da 2ª fase da nova rede da STCP.

Esta reestruturação partiu da necessidade de acompanhar a evolução da comunidade servida com o aparecimento de novas polaridades, assim como da necessidade da STCP se adaptar à evolução ocorrida nos restantes modos de transportes, designadamente a implementação do sistema de metro ligeiro do Porto.

Com a reestruturação da rede, pretendeu-se garantir aos cidadãos uma rede racional, eficiente e devidamente compatibilizada com os padrões de mobilidade dos cidadãos, evoluindo para um sistema de transportes integrado.

Pretenderam-se, do mesmo modo, melhorar os níveis de operação e a qualidade do serviço prestado pela STCP, assegurando também maior regularidade nos horários e a disponibilização do sistema tarifário intermodal Andante.

Como resultado, é concretizada uma verdadeira intermodalidade, assegurando uma maior coesão territorial e social na Área Metropolitana do Porto!

Estamos conscientes que qualquer mudança tem e terá sempre resistências, ainda para mais quando falamos de alterações em sistemas de transportes que mexem com rotinas diárias dos cidadãos.

Mas, quero assegurar-vos, as mudanças introduzidas resultaram de um profundo estudo técnico, em grande parte fruto do esforço da empresa, e visam beneficiar o conjunto dos utentes.

Estamos pois convictos que a nova rede da STCP contribui para a melhoria do serviço prestado e, consequentemente, beneficia os cidadãos.

Claro que a empresa estará sempre disponível para introduzir correcções de situações que, com a implementação da nova rede no terreno, se venham a revelar necessárias, como aliás já aconteceu.

O planeamento de um sistema de transportes – diria mesmo qualquer planeamento – não é nem pode ser estático. É por isso que esta nova rede está em permanente monitorização e não hesitaremos, quando se considere adequado e ajustado, em introduzir as alterações que se mostrem necessárias.

Minhas Senhoras e Meus Senhores,

O panorama do transporte público na Área Metropolitana do Porto sofreu, nos últimos anos, uma revolução profunda: o Metro do Porto alterou profundamente o padrão de mobilidade, a STCP melhorou a qualidade do seu serviço e adaptou-se a esta nova realidade e os utentes passaram a dispor de um instrumento importante de intermodalidade – O Andante.

Estamos pois no bom caminho.

Da parte do Governo continuamos a trabalhar para assegurar uma melhor e mais inteligente mobilidade aos cidadãos.




Menu de Cabeçalho